NEGATIVIDADE E CRÍTICA DA REIFICAÇÃO: HEGEL NA GÊNESE DA TEORIA CRÍTICA
Palavras-chave:
Especulação; Idealismo; Dialética.Resumo
Este artigo busca esclarecer os momentos do pensamento hegeliano que embasam a Filosofia social da Teoria Crítica. Para tanto, deve-se, em primeiro lugar, justificar como um autor frequentemente associado ao conservadorismo e ao Idealismo Absoluto pôde exercer qualquer influência sobre uma tradição de pensamento crítico que valoriza, sobremaneira, a articulação prática, não raramente subversiva, de sua teoria. A esse respeito, conjectura-se que uma aproximação entre tais tradições filosóficas se revela viável pela demarcação daquilo que ambas negam. Investiga-se, nesse tocante, o que ambas negam e qual o sentido próprio de negação assumido pela orientação metodológica que elas detêm em comum: a dialética. Somente, então, o diálogo é justificável, cabendo ainda elucidar que aspectos da filosofia hegeliana são assumidos pela Teoria Crítica e quais são afastados. O que reorienta o debate para o autêntico significado de “idealismo especulativo” e como esse conceito é recepcionado pela Filosofia Social. Diálogo realizado sob a orientação teórico-metodológica dialética, exercitada, inclusive, nos autores da tradição crítica aqui destacados: Theodor Adorno, Max Horkheimer e Herbert Marcuse. Por fim, demonstra-se o valor analítico da interpretação crítica do pensamento de Hegel, designado como o horizonte necessário para uma futura Filosofia social
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