Edições anteriores

  • Revista Eletrônica de Filosofia e Cultura
    v. 10 n. 1 (2021)

    Dossiê Deleuze e Guattari -ética, estética, política e clínica

  • Lampejo revista eletrônica
    v. 8 n. 1 (2019)

    EDITORIAL

    Por que fazemos o que fazemos? Uma pergunta com diversas ressonâncias possíveis e de difícil resposta. Contudo, no meio do autoritarismo e da baixeza que se encontra hoje o Brasil em
    diversas esferas, enfrentamos também o porquê de continuar uma revista sobre filosofia e cultura no Brasil de hoje. Dentre os tantos motivos, alguns se revelam em maior intensidade. Como
    havíamos anunciado já no último editorial, seguiríamos firmes e enfrentando o nosso tempo, porque é disso que se trata. A Revista Lampejo continua sua caminhada porque podemos suscitar pensamentos e experiências. Não será qualquer superficialidade que fará a filosofia deixar de se movimentar. Sob constantes ataques aos diversos cursos espalhados pelo país, nos colocamos aqui à disposição de todos, para que os nossos pensamentos nunca sejam subordinados a nenhum governo ou qualquer espécie de instituição dominante e autoritária. E isso fazemos porque é da natureza intrínseca do pensamento ser irruptivo. Em síntese: pensar implica em alguma irrupção. E para isso nós continuaremos publicando artigos, ensaios, fotografias, traduções, etc, para que essas possam seguir seus próprios fluxos. Nosso posicionamento diz respeito não apenas ao pensamento, mas a própria existência.
    Nesse exato instante diversas vidas estão sendo minadas, e se colocar contra essa matança não é apenas escrever um texto, mas também dizer um sonoro sim a existência, a nossa e a da outra e do outro. Acreditamos que a possibilidade de qualquer um se colocar a pensar e viver do seu modo, é um direito, e tentamos propiciar essa atividade para todos aqueles que ajudam e contribuem para a existência da Lampejo. Não deixaremos calar a voz de ninguém que quer se colocar contra a baixeza do pensamento, o preconceito, o autoritarismo, o fascismo.
    Dito isso, deixamos bem claro que continuaremos potencializando experiências e experimentando potências, porque é para isso que estamos aqui. O momento urge não só uma resistência, mas que as nossas próprias existências continuem, para podermos enfrentar tudo o que estamos passando com muita força, vigor e potência. Para nós não se trata de um fim, porque muitos outros estão lutando contra seus fins há muito tempo e os temos como grandes exemplos, mas de que podemos exercer o papel do enfrentamento, da crítica, e assim expandir forças. Os Brasis existem, nem que sejam por lampejos, e com isso também continuaremos uma Lampejo.

    Os editores.

  • DOSSIÊ II JORNADA BENJAMINIANA
    v. 6 n. 6 (2014)

    APRESENTAÇÃO
    JOÃO EMILIANO FORTALEZA DE AQUINO
    Coordenador do Grupo de Estudos Benjaminianos (UECE)

    Os artigos que compõem este “Dossiê” foram escritos tendo por base alguns trabalhos inscritos e/ou apresentados na 2.ª Jornada Benjaminiana, ocorrida em 26 de setembro deste ano no Porto Iracema das Artes. Este é um evento anual organizado pelo Grupo de Estudos Benjaminianos, da Universidade Estadual do Ceará (UECE), vinculado ao Grupo de Pesquisa em Dialética e Teoria Crítica da Sociedade e ao Laboratório de Estudos sobre Poder, Violência e Linguagem (Lapovili), com o apoio do Mestrado Acadêmico em Filosofia da mesma instituição. Constituem-se, via de regra, em pesquisas em andamento, de professores e alunos de graduação e pós-graduação de várias instituições, e versam sobre questões estéticas e políticas do pensamento de Walter Benjamin. Nesta ocasião, queremos agradecer aos colegas professores que gentilmente, e em prazos curtos, emitiram pareceres às propostas de artigos e, especialmente, aos editores da revista Lampejo, animada pelo Grupo de Estudos em Schopenhauer e Nietzsche, que aceitaram a proposta desta publicação.

  • Lampejo revista eletrônica: Dossiê Daniel Lins, pensamento nômade
    v. 6 n. 2 (2018)

    APRESENTAÇÃO

    O ARQUEIRO NÔMADE

    Nilson Oliveira

    I. Sinergias da amizade
    De onde vem este amigo? Sem dúvida, do menos sombrio. Sua alegria explodia em samambaias pacientes. Ele nos ensinou a voar acima das palavras, longe da letargia dos navios ancorados

    2. Esta oportuna citação é um contrabando de René Char, maneira sem sutileza de encontrar o amigo, ideia de uma confluência (conexões nômades), na oportunidade desta apresentação para a «Revista Lampejo», em sua décima segunda volta, dedicada ao filósofo e escritor Daniel Lins. Zona de agitação povoada de encontros e fluxos pelos quais, a cada movimento, delineia-se um mapa cuja imagem conforma-se no seguinte arquipélago: Daniel Lins, pensamento nômade Trata-se de um fortuito acontecimento. Espiral de afetos, por entre o círculo aberto dos atos- de-pensamento – imanente aos atos-de-vida –, em abordagens plurais e heterogêneas na direção do amigo. Amizade sem divisão e sem reciprocidade. Amizade ao que passa sem deixar rastro. Relação incomensurável de um para o outro. Afinidades de um pensamento que apenas na amizade se revigora. É nesse caminho que a comunidade se encontra, em textos atravessados por uma vontade de manter o diálogo consecutivo. Deste modo, pelas estrias da revista e seus lampejos, em textos vários, assim despontam: Miguel Angel de Barrenechea, Maria Cristina Franco Ferraz, Rosa Dias, Samir Murad Melhem, Charles Feitosa, Ada Beatriz G. Kroef, Antônio Carlos Amorim, Alessandro Carvalho Sales, Ruy de Carvalho, Paulo Rogers Ferreira, Danielle Fonseca, Leonardo Moreira, Marcius A. L. Lopes, Túlio Muniz.

    1 Nilson Oliveira. Escritor e editor da revista Polichinello.
    2 René Char. O nu perdido e outros poemas. São Paulo: Iluminuras, 1995. p. 85/87.

    São essas figuras e suas experiências escriturais que, em busca de um pensamento movente, se atravessam numa correlação ativa. Movimento que se firma pela intensidade da afirmação, força maior. E nessa pulsação, a passagem da escrita à amizade (sinergias do comum): amálgama entre encontro e devir. Algo possível tão somente pela força dos afetos, sobretudo pela vontade de encontro. Ação com amigos, ventos da multiplicidade, ideia de polinização, na direção do que se abre pelos feixes de um pensamento errante.

    II. Na alvorada dos encontros O primeiro encontro veio pelas dobras de «Antonin Artaud: o artesão do corpo sem órgãos». Uma leitura vigorosa, com marcas e desdobramentos no pensamento e na escrita. Repercussão
    ruidosa entre nós. Artaud daquela maneira tão sem concessão, uma delicadeza brutal e expansiva, marcada por lacerações, fusões, osmoses, rebatimentos, caos criativo. Tudo com uma precisão ética e estética, ou seja, nada de reinventar ou transformar, mas pensar em dupla ressonância. Portanto, pensar com Artaud. Essa é a primazia de Daniel Lins, em «O artesão do corpo sem órgãos». Pensar com Artaud, através das erupções de um pensamento ativo, obliterando ostracismo, em favor dos ventos de um pensamento fecundo de sensações e sentidos: transbordante de vigor e júbilo. Simultâneo ao efeito Artaud (numa lufada de ar), outros efeitos, outras curvas, ritornelos, tudo acontecendo numa sinuosa composição entre dobras e linhas.Assim veio para nós o «Simpósio Nietzsche/Deleuze». E deste horizonte uma multidão de encadeamentos, amizades, desafios, escritas, fulgores entre sol e mar. E o estabelecimento de uma ponte Belém e Fortaleza, com tantas idas e vindas, num eterno retorno, fomentado pelos laços da alegria. Na outra mão, o encadeamento de uma colaboração ativa, práxis desejosa, de Lins na Revista Polichinello. Participação através de escritos pelos quais nos apresentava, entre uma edição e outra da revista, uma constelação de figuras que incluíam Abdelkebir Khatibi, Pierre Guyotat, Edmond Jabès, Marguerite Duras. Nesses textos, um trânsito teórico pelos mais distintos campos, por meio de uma escrita movente, pela qual atravessam os dédalos de horizontes  surpreendentes, num sinuoso jogo de linhas e cruzamentos, articulando conexões com Deleuze, Guattari, Foucault, Nietzsche, Blanchot, proferindo uma constelação vigorosa e inquietante.

  • Lampejo revista eletrônica
    v. 1 n. 1 (2012)

    primeira edição revista lampejo

  • Lampejo revista eletrônica
    v. 7 n. 2 (2018)

    EDITORIAL

    O que falta para o que chamam de “fim dos tempos”? Se tornou corriqueiro abrir a página de algum jornal do mundo e se deparar com questões como as de fome, moradia e problemas ecológicos. Parece-nos que o chamado “fim do mundo” está mais organizado do que a continuação dele mesmo. No meio disso tudo, ou seja, ao mesmo tempo, tentamos pensar coisas. Pensar não apenas por parar e refletir, mas sim por continuar se movendo e propor enfrentamentos. Em tempos como o nosso não parece ser benéfico para nós mesmos ficarmos parados e calmos. Façamos então outra pergunta relacionada: o que custa nos dias de hoje se posicionar contra algo? É mais do que nítido que o fim dos tempos já acontece diariamente para os índios, negros, mulheres, LGBTQI, etc. O fascismo às vezes se apresenta com nome próprio, porém qualquer que seja o nome que desejam chamar-lhe, a pergunta é: a quem interessa não falarmos de fascismo? Afirmamos aqui que a nós não. É contra o fascismo que esse texto fala. Essa é a nossa primeira edição pós eleições de 2018 no Brasil, e seria preciso muito mais do que um editorial ou uma revista para falar sobre ela. Contudo, é preciso que a Revista Lampejo afirme um posicionamento perante a todos. A nossa filosofia é aquela que critica o seu tempo, que luta contra suas intempéries, contra toda sua baixeza de pensamento. O pensamento que propomos e tentamos defender aqui não é de algo velado pela mesquinhez ou bestialidade dos que falam pelo bem. Tentamos nos posicionar além do bem e do mal, e de peito aberto nos envolvemos com aquilo que é de fato antifascista. Os recentes ataques às universidades públicas são um ataque contra nós, não apenas contra aquilo que lemos, pensamos e falamos, mas contra aquilo que somos. Fazer o que fazemos é intrínseco não só às leituras, aulas, produções de textos, revistas e eventos que produzimos, mas ao que vivemos. Não se ataca uma profissão, mas um modo de vida. Pensamos não para exegese daquilo que acalma e prega a mesmidade, um tempo estático que é sempre em função dos que venceram a guerra há muitos anos. Vivemos nossos pensamentos, enfrentamos o que nos aparece, e não abriremos mão disso. Por isso nos dirigimos diretamente e com veemência aos últimos ataques ao curso da instituição que foi base de formação de quase todos os integrantes do grupo que produz essa revista, o Curso de Filosofia da Universidade Estadual do Ceará – UECE. Em apoio a todos os estudantes e professores acusados de antifascistas, nós estamos aqui, sendo antifascistas juntos. Para além de qualquer saber, há uma experiência, há vida, e estamos aqui para isso: difundir e potencializar experiências. Uma resposta que damos a qualquer ameaça contra a filosofia, os modos de vida atacados pelo estado, pela “boa” moral difundida, ou qualquer outro, afirmamos que o mundo necessita de enfrentamentos, e a Revista Lampejo está aqui para dizer a todos e principalmente àqueles que estão aterrorizados com os acontecimentos recentes: nós estamos juntos. Por mais que pareça que há um fim de mundo organizado por aqueles espectros estranhos e outras entidades que regulam e controlam diversas vidas, não iremos desistir. Não estamos aqui de modo algum para desistir, ou aderir ao discurso do medo. Há inúmeros fins de mundos acontecendo diariamente para tantos, contudo, o que podemos dizer aqui é que isso não nos impede de lutarmos,
    criarmos diversas vidas, diversas experiências. Não deixaremos de pensar a sua continuação ou o fim do mundo. Não temos medo de experienciar o fim dos tempos, quem sabe até consigamos criar
    um outro fim possível (ou outro mundo). Se um tempo merece ter as respostas à sua altura, a filosofia deve exigir-se mais forte ainda, porque a sua baixeza pode significar o triunfo da morte. Lembremos novamente: o intempestivo vibra e vive. O pensamento que aqui queremos sempre incentivar e propor é um que pulse potência e vida. É “tragicômico” que os que são pela vida só falem mesmo em armas e morte. Lutamos contra forças, mas somos forças também, e além disso não somos poucos. Podemos estar naquele momento que a madrugada fica um pouco mais escura, logo antes do amanhecer, e o medo quer falar mais alto. Mas não temamos, pois pelo crepúsculo já passamos, agora passaremos a aurora.

    Os editores

  • Revista Eletrônica de Filosofia e Cultura
    v. 10 n. 2 (2022)

    É com muito prazer que anunciamos a publicação da edição vol. 10 n.2 da Revista Lampejo. Uma edição que acontece como um número especial para nós envolvidos na sua criação, mas também para todas as pessoas que contribuem para a realização da Lampejo, seja como leitoras, autoras, editoras etc. Esta é a nossa vigésima edição, completando-se assim dez anos de atividade ininterrupta.

    A Lampejo é produzida desde o começo por professores e professoras de filosofia cearenses, com o intuito de potencializar a produção filosófica e cultural em nossa região e no país, de um modo geral. O caminho longevo e produtivo desses dez anos se reflete não apenas nos números, com mais de quatrocentos trabalhos publicados de pesquisadores ligados a mais de setenta e cinco instituições de pesquisa e ensino superior de todo o Brasil, além dez instituições internacionais, mas também, pelo que acreditamos ser um impacto e um marco na produção filosófica em Fortaleza, com relevância para todos os cursos de filosofia, bem como para produtores artísticos e culturais do Estado. A Lampejo acabou sendo muito mais do que apenas um lampejo de produção, mas uma efetivação da potência criativa das tantas pessoas que já contribuíram com suas criações à revista.


    Destacamos na presente edição, além dos correntes artigos variados que são marca das nossas edições, a importantíssima tradução da Declaração aos revolucionários da Argélia e de todos os países, feita por Inácio José de Araújo da Costa. O texto, que circulou clandestinamente na Argélia após o golpe de Estado em 1965, tem sua importância e concatenação com o que pensamos fazer através da Lampejo, ou seja, um espaço de enfrentamento da relação entre filosofia, produção textual, conhecimento, poder e política. A frase do texto não deixa eludir que nossa linguagem talvez seja “mais-que-fantástica”, ou algo do tipo, pois “nossa linguagem, que talvez parecerá fantástica, é a própria linguagem da vida real”. Fazendo da vida uma fantasia, ou da nossa própria fantasia a nossa vida.

    Acreditamos que a presente edição é um marco de valorização e efetivação de que há pessoas interessadas ainda em colocar seus pensamentos, inquietações e ideias no mundo, fazê-las convergir, divergir ou simplesmente existir – o que sabemos que muitas vezes é o necessário. O importante, portanto, é que todas esses acontecimentos e questões continuem tendo seus espaços. A Lampejo as convoca a continuarem existindo pois assim poderemos ser, mesmo que de maneira singela, a morada de uma inquietação.

    Os editores

  • Lampejo revista eletrônica
    v. 8 n. 2 (2019)

    EDITORIAL

    Como chegar de um lugar a outro? Como nos mover? Talvez se trate de que, no fundo, um caminho é sempre outra travessia. Como já dito por João Guimarães Rosa, há sempre um perigo em
    atravessar um rio, porque quando a gente pensa que chegou numa outra ponta, o que acontece é que vamos parar num ponto muito mais em baixo, bem mais diverso do que o primeiro que
    pensamos. Das diversas travessias que imaginamos serem possíveis, ou até impossíveis, pensamos ser possível dar espaço para tantas. São com essas imagens de pensamento que anunciamos mais um número da Revista Lampejo – revista de filosofia e cultura. A presente edição consta de dezenove artigos, um ensaio, quatro traduções, uma resenha e um ensaio fotográfico, das mais diversas abordagens e pontos de vista, e com isso acreditamos estar seguindo a nossa proposta de não sermos apenas uma revista puramente acadêmica, abrindo espaço para outros modos de construção filosófica, mas sem perder o seu devido rigor. No intento de justamente unir diversas travessias para podermos mostrar que não há um único modo de fazer a própria filosofia. A filosofia, ainda mais como é pautada na nossa região, precisa estar sempre à espreita, esperta para poder exercer a crítica e a própria ação do pensamento. Para esse intento a edição consiste de textos tidos como marginais pelo seu modo de escrita,até à maneira ortodoxa das produções de artigos já conhecida. Com isso destacamos o texto de abertura da edição, do professor Ruy de Carvalho, onde busca pensar, dentre tantas outras coisas, o que pode a crítica? O que acontece, como vemos hoje, na postura de aversão ao conhecimento ou à crítica, a chamada misologia? Ainda assim podemos destacar tantos outros textos, como o de Gabriel Crespo Soares Elias e Juliana Alves Garcia da Roza, onde também pensam aspectos visíveis na sociedade brasileira, como os movimentos de ódio e violência a partir de um ponto de vista psicanalista freudiano. Além de artigos sobre pensadores como Immanuel Kant, Aristóteles, Judith Butler, Albert Camus, dentre outros. Por fim destacamos que a atual edição também consiste de um recorde de publicação de traduções, sendo ao total quatro, tendo ainda traduções inéditas. Esperamos que todos vocês, leitoras e leitores, desfrutem a Revista Lampejo e que ela possa  suscitar uma interessante leitura e experiência a todos, ou quem sabe possa fazer com que tantas outras travessias se tornem possíveis. Boa leitura!

    Dezembro de 2019,
    Os editores.

  • Lampejo revista eletrônica
    v. 9 n. 2 (2021)

    EDITORIAL

    A sensação de movimento repentino e giratório de nossa cabeça a qual denominamos vertigem, já não existe: tudo está em queda. Caímos no abismo, somos o fim de uma época tal qual a conhecemos, somos o apocalipse. Nadar, caminhar ou voar, tudo está em ruínas. O que ainda pode ser dito por nós? Há algum horizonte novo que ainda não conseguimos vislumbrar? Há algum barco no qual ainda seja possível adentrar e sair mar à fora a procura de tal horizonte?
    Talvez a presente edição da Revista Lampejo seja uma tentativa de reconhecimento da queda, de tocar a queda e de assimilá-la . Tentar enxergar através do nebuloso, do turvo, mesmo que minimamente, afinal uma gota também faz um oceano, mesmo que não possamos distingui-la. Um corpo que se joga em alto mar numa tentativa de poder respirar: é preciso respirar, queremos respirar. O respiro que se segue contém 12 artigos, 3 ensaios e uma tradução. Uma edição com os artigos
    correntes que costumeiramente permeiam a nossa revista. Destacamos a tradução de “El hombre que parecía un caballo”, texto do escritor nativo da
    Guatemala Rafael Arévalo Martínez, feita por um colaborador frequente da nossa revista, Airton Uchoa Neto, que também escreveu um ensaio como introdução à referida tradução. Chamamos atenção também para os três primeiros artigos que permeiam questões contemporâneas, com inquietações e
    interpretações de temas que estão presentes na Lampejo desde a primeira edição. Esperamos com este volume suscitar mais uma vez a inquietação, o desejo de pensar junto conosco, afinal esta revista não existiria de modo algum se pessoas, seres estranhos, fantasmas, não escrevessem conosco. Produzimos isto aqui para que também possamos cuidar dos nossos.
    Cuidar de nós, de todas e todos que estão ainda tentando sobreviver ao abismo. A presente edição também pode ser entendida como um barco que sai em mar aberto, esse não lugar chamado barco, no qual tudo pode ser, dentro e fora dele, realidades distintas, caminhos, meios ou fins e se tivermos sorte um feitiço. É possível criar durante a queda? Quem sabe até façamos chover. Veremos!
    Os editores.